
Aqui hoje, quarto e vinho
Como antes, já não faz diferença
Um, dois, terceiro quarto à direita
(uma, duas, terceira taça à esquerda)
No último cômodo, há uma janela aberta
Além da janela, um sopro de vida
Leve-me com você até os limites do mundo
Onde o tempo se esconde e a lua é soberana
miércoles
domingo
Atenho-me à estatura e às roupas largas.
Limito-me à linha do rosto - Reflito.
Porque será que falo tão apaixonadamente da sua pele,
se ela é marcada por esse vinco/cinza/doentio,
prova irrefutável de um cansaço secular?
Limito-me à linha do tempo - Reluto.
Talvez porque o seu sorriso desmistifique a cultura das aparências,
transcendendo-a.
Você é algo assim como Cheshire - um enigma. Meu enigma.
Então, seu olhar afiado pressiona-me contra o balcão:
Escoro-me nos copos, escudos de vidro fosco,
ampolas de veneno negro.
Além dessas paredes, o cheiro úmido da noite.
O cheiro da terra.
Desejo...
Meu desejo.
Retorno ao front.
Invariavelmente entrincheirada para a guerra dos olhares que dizem coisas... Mortais.
Vez por outra ferida por toques de pele nada aleatórios, mísseis de palavras soltas que reverberam, assobios, trechos de canções arremessados, bombardeios de cadeiras arrastadas, bombas químicas de testosterona... Um inferno.
Meu paraíso.
Cheshire reaparece quando ameaço retirar as tropas de campo.
No último instante - “Fica".
Fico.
sábado
La tinta verde crea jardines, selvas, prados,
follajes donde cantan las letras,
palabras que son árboles,
frases que son verdes constelaciones.
Deja que mis palabras, oh blanca, desciendan y te cubran
como una lluvia de hojas a un campo de nieve,
como la yedra a la estatua,
como la tinta a esta página.
Brazos, cintura, cuello, senos,
la frente pura como el mar,
la nuca de bosque en otoño,
los dientes que muerden una brizna de yerba.
Tu cuerpo se constela de signos verdes
como el cuerpo del árbol de renuevos.
No te importe tanta pequeña cicatriz luminosa:
mira al cielo y su verde tatuaje de estrellas.
(Octavio Paz)
jueves
*

Tenho uma amiga Net que é um perigo.....
Sardas, palpitam em seu corpo;
os machos ficam até ressabiados;
de onde vem tanto charme , ousadia, misto mulher folia...
O sorriso esconde malícia,
Cabelos rebeldia ao vento;
Os seus textos nos levam a refletir :
eita Mulher doida e ao mesmo sábia!
Ah esta Net, ainda vai traçar muita história na estrada torta da vida.
E quero estar por perto, para não perder nem um ato!
É Anete... com Afeto e Antunes!
Márcia Palhares 30.11.09
Antonio usava um roupão azul e chinelas japonesas
Carlos ia à academia de bike
Antonio dava biscoitinhos especiais para suas cachorras
Mas o macho predominante era o Carlos
Antonio possuía talentos gastronômicos
Carlos adorava uma bucetinha
Antonio assistia à National Geographic
Carlos apreciava vodka
Antonio era emotivo e sensível
Carlos tinha um ótimo senso de humor
Antonio não lia nada sem seus óculos
Carlos tinha olhos irresistíveis
Antonio contava lindas historias sobre os seus filhos
Carlos também ...
Antonio gostava de Etta James e Buddy Guy
Carlos ouvia Sympathy for the Devil, dos Stones
Antonio acreditava nos sonhos de futuro
Carlos freqüentava o bar do Pinu
Todos os dias, Antonio acrescentava um detalhe decorativo à sua casa
Carlos dormia depois do almoço
Antonio fumava e filosofava
Carlos fumava e me comia
Se o Antonio me oferecia um travesseiro,
O Carlos tirava
Se o Carlos me devolvia o travesseiro,
O Antonio tirava ...
O banheiro do Antonio cheirava a eucalipto
Mas o Carlos esquecia de comprar papel higiênico
Antonio sempre foi um Homem!
Carlos, um garotão
Antonio possuia um estilo clássico
Carlos, esportivo
Antonio era sensual
Carlos, viril!
O Carlos, eu já conhecia
O Antonio, não ...
Antonio me embalava no "bercinho"
Carlos me arrastava pra "Toca do Lobo"
Carlos desejava duas mulheres em sua cama
Já com o Antonio, invertíamos os papeis
Para o Antonio, guardava os meus pensamentos mais doces
Pelo Carlos, nutria uma paixão desmedida
A Antonio dizia que eu era maluca
O Carlos teve medo
*
Para ambos, Carlos & Antonio,
pela injeção de libido - incrível espelho
catapultada para a vida
lunes
Irrecuperável!
E como vão se perder
Suas danças noturnas? Na matemática?
Estas espirais e saltos puros-
Viajam pelo mundo
Para sempre, e não me sentarei
de todo esvaziada de belezas, o presente
De sua suave respiração, a grama úmida,
O aroma de seus sonhos, lírios, lírios,
Sem relação com sua carne.
Dobras frias do ego, o copo-de-leite,
E, o tigre se enfeitando todo-
Pintas, e um espalhar de pétalas quentes
Os cometas
Têm tanto espaço para percorrer,
Tanta frieza, esquecimento,
Teus gestos se lascam-
Mornos e humanos, sua luz rósea
Sangrando e descascando
Pelas negras amnésias do céu.
Por que me dão
Estas lâmpadas, estes planetas
Caindo como bençãos, como flocos
Com seis lados, brancos
Sobre meus olçhos, meus lábios, meus cabelos
Tocando e derretendo.
Lugar nenhum.
*
Sylvia Plath
*
Gracias, Fabi.
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